Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que tou por fora ou então que tou inventando
Mas é você que ama o passado é que não vê
É você que ama o passado é que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem deu me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais
*Belchior
segunda-feira, 26 de março de 2007
quinta-feira, 22 de março de 2007
OBRIGADO!
quinta-feira, 15 de março de 2007
Um DVD fantastico!!!!!!!!
Segundo - de Maria Rita começa com um show antológico gravado no Claro Hall, Rio de Janeiro, no dia do meu aniversário - 18 de Março. Nele, Maria Rita passeia pelo seu repertório e emociona todos com seus maiores sucessos. São 19 canções, entre elas hits como "A festa", "Cara valente", "Recado", "Encontros e despedidas" e "Caminho das águas", além, de 2 inéditas na voz da artista: "Todo carnaval tem seu fim", anteriormente gravada pelo Los Hermanos e "O que sobrou do céu", clássico do repertório d´o Rappa.
Segundo - Ao vivo também conta com 9 canções do CD Segundo, gravadas de forma mais intimista na Toca do Bandido, estúdio no Rio de Janeiro onde Maria Rita gravou os seus 2 CDs. Os extras também contam um pouco da história das gravações (Fazendo Segundo), além de mostrar o videoclipe da música "Feliz" e da música "Santa Chuva", um tema fenomenal que podem aqui ver e ouvir:
Segundo - Ao vivo também conta com 9 canções do CD Segundo, gravadas de forma mais intimista na Toca do Bandido, estúdio no Rio de Janeiro onde Maria Rita gravou os seus 2 CDs. Os extras também contam um pouco da história das gravações (Fazendo Segundo), além de mostrar o videoclipe da música "Feliz" e da música "Santa Chuva", um tema fenomenal que podem aqui ver e ouvir:
domingo, 4 de março de 2007
...o retorno à inocência
Amor ... devoção ...
Sentimento ... emoção...
Não tenhas medo por ser fraco
Não tenhas tanto orgulho por ser forte
Olha para dentro do coração, meu amigo
Esse será o retorno a ti mesmo
O retorno à inocência
Se queres, então começa a rir
Se deves, então começa a chorar
Sê tu mesmo não te escondas
Apenas acredita no destino
Não te importes com o que os outros dizem
Segue o teu próprio caminho
Não desistas e usa a hipótese
Para retornar à inocência
Esse não é o começo do fim
Esse é o retorno a ti mesmo
O retorno à inocência
Sentimento ... emoção...
Não tenhas medo por ser fraco
Não tenhas tanto orgulho por ser forte
Olha para dentro do coração, meu amigo
Esse será o retorno a ti mesmo
O retorno à inocência
Se queres, então começa a rir
Se deves, então começa a chorar
Sê tu mesmo não te escondas
Apenas acredita no destino
Não te importes com o que os outros dizem
Segue o teu próprio caminho
Não desistas e usa a hipótese
Para retornar à inocência
Esse não é o começo do fim
Esse é o retorno a ti mesmo
O retorno à inocência
quinta-feira, 1 de março de 2007
Caçador de sóis
Pelo céu às cavalitas escondi nos teus caracóis a estrela mais bonita que eu já vi
Eu cresci com um encanto de ser caçador de sois
Eu já corri tanto tanto para ti
Fui um príncipe encantado
Montado nos teus joelhos
Um eterno namorado a valer
Lancelote de algibeira
Mas segui os teus conselhos
Para voltar á tua beira e ser o que eu quiser
Os teus olhos foram esperança
Os meus olhos girassóis
Fomos onde a vista alcança da nossa janela
Já deixei de ser criança e tu dormes à lareira
Ainda sinto a minha estrela nos teus caracóis
Eu cresci com um encanto de ser caçador de sois
Eu já corri tanto tanto para ti
Fui um príncipe encantado
Montado nos teus joelhos
Um eterno namorado a valer
Lancelote de algibeira
Mas segui os teus conselhos
Para voltar á tua beira e ser o que eu quiser
Os teus olhos foram esperança
Os meus olhos girassóis
Fomos onde a vista alcança da nossa janela
Já deixei de ser criança e tu dormes à lareira
Ainda sinto a minha estrela nos teus caracóis
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
... palavras que tocam
Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P'ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar
A quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só:
Quero quem quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci
Porque eu só quero quem
Quem eu nunca vi
Esta insatisfação
não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P'ra outro lugar
Vou continuar a procurar
A minha forma
O meu lugar
Porque até aqui eu só:
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Estou bem aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu não vou
Porque eu só estou bem
Aonde não estou
sábado, 24 de fevereiro de 2007
tirem-me...
Tirem-me a vista.
Tirem-me para sempre a luz de Lisboa,
tirem-me as encostas do Douro,
o Tejo e o Alentejo,
tirem-me a calçada dos passeios e os azulejos da parede.
Tirem-me o ouvido.
Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista,
tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia de norte a sul,
tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo.
Tirem-me o tacto.
Tirem-me para sempre o sol de Inverno a bater na cara,
tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos,
tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.
Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto.
Porque se eu ainda for capaz de saborear a alheira a rebentar de sabor,
ou o bacalhau com todos a nadar em azeite,
serei capaz de dizer, se não me tirarem a fala, que estou em Portugal.
Tirem-me a vista.
Tirem-me para sempre a luz de Lisboa,
tirem-me as encostas do Douro,
o Tejo e o Alentejo,
tirem-me a calçada dos passeios e os azulejos da parede.
Tirem-me o ouvido.
Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista,
tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia de norte a sul,
tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo.
Tirem-me o tacto.
Tirem-me para sempre o sol de Inverno a bater na cara,
tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos,
tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.
Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto.
Porque se eu ainda for capaz de saborear a alheira a rebentar de sabor,
ou o bacalhau com todos a nadar em azeite,
serei capaz de dizer, se não me tirarem a fala, que estou em Portugal.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
... Agua y sal

Agua de nieve, en tus ojos de cielo
yo quería ser la flor que acaricia tu pelo
mucho quería, pero más pudo el miedo
hoy no hay golpe de timón que desate el enredo.
Agua y sal, agua y sal
como el agua del mar
que se va entre los dedos.
Poco dormía pero mucho soñaba
fuiste la mejor manera de empezar la mañana
fueron semanas o tal ves fueron días
nos hicimos sonreir con aquella alegría.
Agua y sal, agua y sal
como el agua del mar
que se va entre los dedos
Pude estar equivocado,
pude tener la razón
pero tuve un acorde de la mejor canción
el sonido de tu corazón.
Quedan rumores como gotas de un río
queda el eco de tu voz que atraviesa el olvido
mucho quemaba pero más pudo el frío
ya no hay golpe de timón que desate este lío
Agua y sal, agua y sal
como el agua del mar
que se va entre los dedos
Pude estar equivocado,
pude tener la razón
pero tuve un acorde de la mejor canción
el sonido de tu corazón
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Pela Mariana... eu voto SIM!!
"Tinha 15 anos, faria 16 no dia seguinte...mas não chegou lá. Pelo menos não com vida.Morreu sozinha numa rua de Évora. Esvaiu-se em sangue. Sozinha.Estávamos em Janeiro...já passaram mais de 30 anos mas parece que foi ontem.Éramos amigas desde miúdas, andávamos na mesma turma e estávamos sempre prontas para nos apoiarmos uma à outra, sobretudo quando as coisas envolviam uma partida pregada a algum professor.Era o nosso primeiro ano longe uma da outra. Ela ficou no Alentejo e eu vim estudar para Queluz.Ela conheceu alguém que nunca devia ter conhecido. Ela deixou de ser uma jovem alegre de longos cabelos pretos e passou a ser um brinquedo nas mãos de alguém que usava as mulheres a seu bel-prazer. Na altura ninguém se lembrou que ela era menor e ele um homem feito e já com filhos. Se alguém se lembrou não achou importante fazer qualquer coisa para colocar um ponto final na situação. Deixou andar. Calou e consentiu.Um dia na véspera de completar 16 anos apareceu morta numa rua de Évora.Tinha ido fazer um aborto. Sem qualquer tipo de segurança. Numa casa qualquer de uma mulher qualquer sem escrúpulos.Ficou toda destruída por dentro...Foi atirada para uma rua escura num fim de tarde de Janeiro...E ali encontrou a morte...sozinha porque quem a levou não tinha um pingo de moral nem de consciência e fugiu. Deixou que a morte chegasse e ela estivesse ali deitada numa rua escura e fria...sozinha.Não lhe deram mais um dia para fazer 16 anos.
A Nanita, era assim que os amigos a tratavam, morreu como têm morrido tantas meninas e mulheres neste país...às mãos de gente sem escrúpulos que se têm enchido de dinheiro à custa da desgraça dos outros.Para que nunca mais nenhuma Nanita morra sozinha numa rua fria e escura de uma qualquer cidade deste País...eu voto SIM!!P.S. -Esta não é uma estória de ficção...esta é uma história bem real, demasiado real e dolorosa para a família e amigos da Nanita. Aconteceu há mais de 30 anos...mas podia ter sido hoje.
Adenda: A minha filha perguntou-me porque escrevi "estória" e não "história"...eis a explicação para quem tenha a mesma dúvida.
Estória é um neologismo proposto por João Ribeiro em 1919, para designar, no campo do folclore, a narrativa popular, o conto tradicional.Alguns consideram o termo arcaico, mas ele difere claramente de "História", pelo primeiro ser algo inventado e o segundo algo verídico.O termo acabou por não ter uma aceitação generalizada, uma vez que pode ser feita a distinção entre "história " (com caixa baixa ou minúscula) e "História" (com caixa alta ou maiúscula). O primeiro termo significa narrativa, ficção e o segundo refere-se à ciência que estuda o Homem no tempo.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. "
Texto de Aldina Leitão
A Nanita, era assim que os amigos a tratavam, morreu como têm morrido tantas meninas e mulheres neste país...às mãos de gente sem escrúpulos que se têm enchido de dinheiro à custa da desgraça dos outros.Para que nunca mais nenhuma Nanita morra sozinha numa rua fria e escura de uma qualquer cidade deste País...eu voto SIM!!P.S. -Esta não é uma estória de ficção...esta é uma história bem real, demasiado real e dolorosa para a família e amigos da Nanita. Aconteceu há mais de 30 anos...mas podia ter sido hoje.
Adenda: A minha filha perguntou-me porque escrevi "estória" e não "história"...eis a explicação para quem tenha a mesma dúvida.
Estória é um neologismo proposto por João Ribeiro em 1919, para designar, no campo do folclore, a narrativa popular, o conto tradicional.Alguns consideram o termo arcaico, mas ele difere claramente de "História", pelo primeiro ser algo inventado e o segundo algo verídico.O termo acabou por não ter uma aceitação generalizada, uma vez que pode ser feita a distinção entre "história " (com caixa baixa ou minúscula) e "História" (com caixa alta ou maiúscula). O primeiro termo significa narrativa, ficção e o segundo refere-se à ciência que estuda o Homem no tempo.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. "
Texto de Aldina Leitão
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
RCP no lugar de ninguém
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
domingo, 21 de janeiro de 2007
Acordar
Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.
Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.
Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja
A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.
Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.
Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...
Deita-me as mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palácios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.
Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Álvaro de Campos
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.
Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.
Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja
A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.
Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.
Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...
Deita-me as mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palácios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.
Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...
Álvaro de Campos
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
...de volta à música!
A partir de agora a música vai fazer, mais do que nunca, parte deste blog.
Esta disponível a minha “radio on-line”!
Qualquer reclamação referente à playlist é só dizer... lol
Muitas mais músicas haveria para colocar aqui...
Espero que gostem das minhas escolhas!
Esta disponível a minha “radio on-line”!
Qualquer reclamação referente à playlist é só dizer... lol
Muitas mais músicas haveria para colocar aqui...
Espero que gostem das minhas escolhas!
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Uma música para ouvir vezes sem conta...
hoje o céu está mais azul
eu sinto
fecho os olhos,
mesmo assim
eu sinto
o meu corpo estremecer
não consigo adormecer
Amor
nem o tempo vai chegar
pra dizer o quanto eu sinto
você longe de mim
é uma espécie de dor
hoje o céu está mais azul
eu sinto
olho à volta,
mesmo assim
eu sinto que este amor vai acabar
e a saudade vai voltar
Amor
nem o tempo vai chegar
pra dizer o quanto eu sinto
você longe de mim
é uma espécie de dor
já não sei o que esperar
dessa vida fugidia
não sei como explicar
mas é mesmo assim o Amor
"Rosa" de Rodrigo Leão
eu sinto
fecho os olhos,
mesmo assim
eu sinto
o meu corpo estremecer
não consigo adormecer
Amor
nem o tempo vai chegar
pra dizer o quanto eu sinto
você longe de mim
é uma espécie de dor
hoje o céu está mais azul
eu sinto
olho à volta,
mesmo assim
eu sinto que este amor vai acabar
e a saudade vai voltar
Amor
nem o tempo vai chegar
pra dizer o quanto eu sinto
você longe de mim
é uma espécie de dor
já não sei o que esperar
dessa vida fugidia
não sei como explicar
mas é mesmo assim o Amor
"Rosa" de Rodrigo Leão
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
...
“A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. E quando todas as laranjas caírem, apanha-as com cuidado, guarda-as num cesto e muda de profissão.”
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