quinta-feira, 17 de agosto de 2006

A cantar desde 1919

Tirem-me a vista.
Tirem-me para sempre a luz de Lisboa, tirem-me as encostas do Douro, o Tejo e o Alentejo, tirem-me a calçada dos passeios e os azulejos da parede.
Tirem-me o ouvido.
Tirem-me para sempre o choro da guitarra e o pranto do fadista, tirem-me os pregões das mulheres do bulhão e a pronúncia de norte a sul, tirem-me a fúria de espuma das ondas e o grito do golo.
Tirem-me o tacto.
Tirem-me para sempre o sol de Inverno a bater na cara, tirem-me o barro a ganhar forma entre os dedos, tirem-me o rosto queimado da minha mãe e a mão áspera do meu pai.
Tirem-me tudo isto, mas não me tirem o gosto.
Porque se eu ainda for capaz de saborear a alheira a rebentar de sabor, ou o bacalhau com todos a nadar em azeite, serei capaz de dizer, se não me tirarem a fala, que estou em Portugal.

(Spot televisivo Azeite Gallo)...
faaaantástico, não é?

3 comentários:

Xanu disse...

Gostava mais do que era cantado...
Como é que tu estás? Bjs

Bruno Plácido disse...

"ó rama ó que linda rama..." :)

Ola Aldina!
eu ca estou por terras eborenses com o meu novo trabalho! ... e com saudades d radio!!!!!! (vrdd seja dita!!)

Bjs
Bruno

Pedro Gama disse...

Viraste-te para a culinária agora??? Ganda "compadre"!!! Conta novidades... e não desesperes. Tudo fará sentido um dia e os teus sonhos realizar-se-ão.